Notas sobre uma tragédia

A Filosofia nunca pensou fatos, mas princípios e, desde Giordano Bruno e Benjamin (ok, misturamos tudo, ok), constelações; mas a efeméride, este viscoso inventários de causas que se encadeiam e muitas vezes não levam a a fins quaisquer, esta glosa de glosa sem sentido ou direção, sem uma vontade que as ordene e plenifique… falo da nossa consciência, aquilo que nos dá um lugar no mundo, uma orientação no espaço e um nexo no tempo, uma origem e um fim: nossa clareira ( Heidegger: o homem é o olho aberto na clareira do ser).

Enfim: se uma pousada cai na tua cabeça num dia de festa, em que a única embriaguês que vc se permite é a da espumante e de um sexo casual, e não te passa pela cabeça que há uma série de Deuses noturnos que povoaram o Hades e que te podem igualmente conduzir ( ser conduzidos a) à extrapolação da tua figura ( ou transfiguração, agora começamos a nos entender) num monte de vísceras e carne moída e saltitante… a princípio é o que todos buscamos, é o ideal do ego do nosso id ( e não me peçam coerência intelectual, sobretudo aqui!): perder-se, libertar-se das fronteiras intimidadoras do nosso ego.. Lévinas chama isso do irremissível de ser, esta prisão: ter de ser, mesmo sem sentido; ter de ser, mesmo sob escombros e com o corpo em pedaços, triturados como Dionisius; ter de ser, mesmo nos limites de ser, no insuportável,a intolerável visão…

Mas como bem ensina Papi Freud, que esta extrapolação de limites seja querida por nós, que seja desejada, que o nosso corpo aspire ao pó. O que não suportamos ( e esta é a ferida narcísica que se expõe no trágico) é sermos condenados à destruição por um Outro: chamem de Acaso ou Deus.

Na iconografia clássica, é comum vermos figuras de santos que, diante da aparição do Dibvino , recuam e/ou protegem os olhos com a mão… mas eles não podem fugir, não tanto do divino mas do dever de ser; para o santo, ser é ser servidor, é se prostrar às injunções de ser um estandarte do Eterno plantado no sáfaro planalto da Imanência. Se este é seu fardo imundo ( ou sagrado, em todo caso meu), servir a um outro, a um Totalmente Outro, que seja… se o nosso fardo é perder um filho, uma parte de si num aluvião cretino, é deixar o nosso filho- a nossa parte de ser, nosso quinhão neste latifúndio improdutivo que é a vida- ser devorado pela vasta e onimosa placenta do Nada, voltar a ser uma parte do Nada ( ó libertação!!!!!!), a ser pó, anterior ao princípio de individuação, anterior a tudo, a tudo de determinado

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